Realização pessoal: Autenticidade vs Aceitação

Existe muito esta dicotomia entre desejar ser diferente e desejar pertencer. São pólos que puxam cada um para o seu lado. Qual deles será o mais gratificante?

E, para além disso, qual deles se alinha mais com a nossa realização pessoal?

Quando nascemos, somos uma tela em branco. A vida fornece a tinta para compormos o nosso quadro. Essa tinta vem de todos os lados: familiares, amigos, conhecidos. No início não temos escolha senão deixar que pintem a nossa tela. Depois, com o tempo e a aprendizagem, vamos ganhando mais consciência e raciocínio próprio, que nos permitem fazer uma triagem das cores que queremos usar. É neste momento que surge uma questão: vou pintar das cores que me são autênticas ou vou disfarçar-me de outras que permitam camuflar-me no cenário geral? 

Para responder a isso, podemos considerar dois fatores: a nossa autoconfiança e o nosso objetivo de vida. Um nível baixo de auto-estima combinado com nenhum ou fraco objetivo de vida, por exemplo, vai fazer com que sigamos o rebanho que nem uma ovelha. Por outro lado, uma boa autoestima combinada com um objetivo forte, vai fazer com que seja mais provável querermos seguir o nosso próprio instinto. Pode também acontecer que alguém com pouca autoestima mas com uma meta de vida fixa, por ter essa meta, consiga com trabalho e consistência, alcançar algo de diferentes dos demais. O que se observa também é que ter confiança sem objetivos pode criar mais tendência a seguir os outros, porque sem algo que guie a pessoa, ela trabalha em prol do objetivo do outro. Esta última hipótese é o que acontece muito conosco trabalhadores. Podemos até ser confiantes mas não ter a ambição que permita a promoção da nossa função atual. Isto são obviamente generalizações e concretizações dos extremos. Não estou a dizer que se tenha de estar sempre em mudança, mas ambição é algo que nos motiva e puxa mais realização para dentro da nossa vida. 

Eu acho que ter objetivos de vida vai de mão dada com exalar autenticidade. Eu posso ser apenas mais um número na folha de salários do meu patrão, mas se eu souber para mim mesma que estou a trabalhar nos meus planos, isso só por si já me diferencia. Vai refletir-se na maneira como trabalho, como falo, como uso o meu tempo. Vai dar-me outro brilho. Só isso já me vai destacar, mesmo que ninguém mais veja. Mesmo que só o vejam quando eu tiver alcançado. 

Estamos em janeiro e portanto o ano acabou de começar. Não foi com intenção de fazer resoluções, mas fiz uma lista de objetivos que quero alcançar, alguns a curto e outros a longo prazo. Todos eles, se os conseguir seguir e eventualmente concretizar, me afastarão  mais do meu suposto “lugar”, ao lado dos outros na corrida. Muitos vão pensar que eu estou a correr juntamente com eles, só que talvez, e eu rezo ao universo para que sim, a meio da corrida o meu percurso tenha um desvio e seja ele que me leve onde quero estar. 

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