Sobre estar quase a fazer 30 anos

Este ano, em 2026, completarei 3 décadas de existência.

Sempre vivi com a sensação de que aos 30 anos teria tudo resolvido: carreira, relacionamentos e saúde. Essa sensação veio acompanhada de um “à vontade” que me deixou um pouco mais descuidada com o momento passageiro. No fundo achava que mesmo que estivesse a errar, quanto mais próxima estivesse desse aniversário, mais as coisas se iriam magicamente endireitar. A verdade é que não posso reclamar do que a vida me tem atirado para o caminho. Nem tudo é justo, bom ou fácil, mas considero que tenho saído ilesa do processo. 

Nessa data eu queria ter o que imagino que muita gente quer: 1) um emprego estável, 2) um parceiro de vida, 3) consolidação da relação com os meus pais, 4) um bom grupo de amigos.

  1. Qualquer pessoa, julgo eu, quer ter dinheiro suficiente para pagar as contas e suprir necessidades, tanto básicas como supérfluas. Para isso poder acontecer há que ter uma fonte de rendimento, idealmente, estável. Juntando o útil ao agradável, se desse emprego se conseguir retirar algum tipo de realização profissional, melhor ainda. A maior parte do meu dia de trabalho é passado, como o nome indica, no trabalho, que acontece 5 dias por semana. Quer isto dizer que ocupa uma grande percentagem do meu tempo, tempo esse que eu prefiro fazer valer a pena. Conseguindo ter um emprego estável, produtivo e satisfatório, é assim um dos fatores.
  2. Eu nunca achei que iria alguma vez ser capaz de encontrar amor verdadeiro. Atenção, que digo amor verdadeiro e não amor perfeito, mas de qualquer forma sempre foi um objetivo e anseio interno. Acredito que ter ao nosso lado alguém com quem partilhar a vida, que nos apoie e dê afeto, é uma das melhores coisas da vida. Faz com que viver tenha mais significado e menos solidão. No fundo é ter uma testemunha para a nossa vida e aceitar ser testemunha da vida do outro, é dizer “eu estou contigo e a tua vida não vai passar despercebida”. 
  3. A minha relação com os meus pais sempre teve os seus altos e baixos. Acredito que todas sejam assim, porque todos passamos por várias fases de crescimento que influenciam as nossas atitudes. Então podemos ter alturas em que temos mais paciência e outras em que temos menos tolerância. Sendo que a nossa própria personalidade, obviamente, desempenha um grande papel nisso. Sempre foram os dois muito presentes na minha vida e nunca nada me faltou. Minto. Talvez tenha e esteja a faltar um pouco de compreensão. Mas tanto falta da parte deles como da minha.
  4. A amizade é uma temática na qual sempre falhei. Sinto que nunca fui a miúda popular com muitos amigos, a miúda que toda a gente conhecia ou a miúda de quem toda a gente gostava. Sempre fui de nichos, de ter o meu grupinho de 3 raparigas e só. Mas mesmo assim nunca estava satisfeita. Nunca me identificava a 100% com aquele nicho de amizade. Sentia-me, na maior parte das vezes, deslocada e diferente das demais. Não tenho conseguido manter amizades e muitas vezes é porque eu não tenho a capacidade de aceitar certas coisas. Coisas que me fazem pensar “fogo, eu nunca faria isso a alguém”. Então, frequentemente, corto pessoas da minha vida e desisto. 

Ainda falta algum tempo para eu fazer 30 anos: estamos em janeiro e o meu aniversário é em setembro. Mas por isso mesmo quero fazer esta reflexão, agora, enquanto ainda tenho tempo de alterar alguma coisa. Sinto que, fruto de alguma sorte, já consegui neste momento ter algumas dessas coisas que quero. 

Tenho um emprego estável e no qual me sinto realizada: trabalho num hotel de 4 estrelas, no qual sou recepcionista de 1a. É uma função que desempenho com muito prazer, para a qual descobri ter aptidão há poucos anos. Adoro receber hóspedes, fazer com que se sintam em casa e com que não lhes falte nada. O meu trabalho passa por muitos check ins e check outs, que desempenho com vontade, mas aquilo que aprecio mesmo é a personalização do serviço aos hóspedes. Primeira vez na cidade? Perfeito! Coloco-me logo à disposição para explicar o mapa, recomendar coisas a fazer, sitios a visitar, restaurantes e cafés onde ir e experiências a ter. Já cá estiveram? Pergunto o que já fizeram e recomendo coisas novas tendo isso como referência. É a ligação com a pessoa que me move, gosto mesmo de sentir que consegui fazer a estadia deles melhor em algum sentido. 

Em relação ao segundo ponto, encontro-me num relacionamento há quase 1 ano, com um homem incrível que me apoia e desafia positivamente todos os dias. Nem tudo é fácil, sendo que eu sou muitas vezes a causa de atritos, mas estou a aprender a estar num relacionamento saudável. O meu historial não é o melhor e por isso a minha bagagem emocional por vezes prejudica o meu parceiro. Apesar disso, tenho a certeza de que tudo irá dar certo, com a minha evolução e a continuação do crescimento do nosso amor. 

Com os meus pais as coisas também estão mais sólidas. Não vivo com eles mas faço questão de lhes ligar todos os dias. Apesar de ser independente, aceito a ajuda deles em questões que sentem que podem ajudar e também julgo estar lá para eles. Quero fazer mais por eles, como conseguir pagar-lhes umas férias ou oferecer-lhes algo de mais valor, como o meu irmão faz, mas ainda não consegui chegar a esse nível. No futuro quero acreditar que vou atingir esse objetivo e compensá-los em tudo o que conseguir.

Quanto às amizades, é o ponto que mais tenho de trabalhar. Este ano que acabou fiz algumas que não mantenho hoje em dia, seja por causa de mim ou por causa deles. Quero arranjar algum hobbie que me permita conhecer mais gente com interesses semelhantes. Um inconveniente a isso é que o meu horário de trabalho é rotativo, não permitindo planear algo fixo. Tenho de pensar melhor nisso, talvez focar-me antes em workshops e outras coisas mais pontuais. 

Em conclusão: já atingi alguns objetivos completamente, outros atingi mas tenho de trabalhar neles e outros nem por isso consegui. Ainda tenho tempo até setembro. Mas mesmo que não consiga tudo aquilo que quero atingir, não há problema absolutamente nenhum. Acho que esta minha ideia de ter as coisas compostas aos 30 é muito por pressão da sociedade ou mensagens subliminares que recebo dos media. Não existe prazo certo para atingir algo ou ter algo, apenas aquele que nos exigimos. E talvez, ou muito provavelmente, não devamos ser tão rígidos connosco. Estamos a viver pela primeira vez, é normal tomar o nosso tempo e errar de vez em quando. É o erro, e a aprendizagem que dele surge, que torna a vida tão plena de significado. 

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