Erros meus que tu podes evitar

  1. Esperar que os outros tenham ações ou reações iguais às minhas. 

Muitas vezes eu fico desapontada com as pessoas, sejam elas próximas ou desconhecidas. Isto deriva do facto de eu, inconscientemente, ficar na expectativa de que a pessoa com a qual estou a lidar, se vá comportar de certa forma. Por exemplo, eu empresto uma camisola a uma amiga. A minha expectativa é de que quando ela a devolva, a entregue lavada e bem dobrada. No entanto, sendo que isto já me aconteceu, a pessoa pode simplesmente devolver a camisola por lavar e atirada para dentro de um saco. Não sendo algo que eu lhe faria, fico triste com o gesto, porque na minha opinião, denota pouco cuidado e falta de consideração. Pode ser que a pessoa nem tenha pensado nisso. Simplesmente usou e devolveu, sem sequer ponderar estas coisas. Talvez até tenha pensado, por outro lado, que já fez muito em realmente devolver. A verdade é que nunca se consegue adivinhar assim logo o porquê das ações das pessoas, mas uma coisa é certa: esperar que elas tenham o mesmo raciocínio que nós é um dos erros que é meio caminho andado para a decepção. 

  1. Sentir pressão para seguir a última tendência.

Estamos constantemente a ser bombardeados por anúncios, publicidade e entretenimento que, por exemplo, nos tentam impingir o novo creme para as rugas, o novo telemóvel ou o novo carro. Muitas vezes estamos satisfeitos com a nossa vida, temos tudo na quantidade necessária, mas abrimos alguma rede social e somos confrontados com alguém que tem coisas diferentes, supostamente melhores e mais esteticamente agradáveis que as nossas. Nesse momento começa um processo de comparação, que acaba inevitavelmente com um sentimento de insatisfação com os nossos bens atuais. O facto de sermos expostos a conteúdo que está todo orientado para o consumismo, faz com que não haja escapatória. É preciso fazer um exercício mental voluntário e consciente para não cairmos nessas armadilhas. Isto na minha opinião e de acordo com o que se passa comigo. Aliás, assim mais recentemente, quase fui na onda do novo iphone 17 pro laranja. Isto porque a minha cor favorita é e sempre foi laranja, e pela novidade do iphone. O problema? Eu não tinha dinheiro suficiente para o comprar. E mais, o meu iphone atual está perfeitamente bom, bateria impecável, sem qualquer dano e não tem assim tanto tempo que o tenho. Mas aquela gula material de ter algo novo quase se apoderou de mim. Vi até no meio que me rodeia, quem fizesse empréstimo ao banco para poder comprar o dito iphone! Não é que seja contra empréstimos, que podem até permitir ter certas coisas importantes, mas acho que não é o caso do iphone.

  1. Levar tudo a peito.

Talvez seja ingenuidade, mas quando alguém se dirige a mim eu tomo o que essa pessoa diz como intencional e verdadeiro. Por essa razão, quando certa interação não corre bem ou na sua duração me sinto desrespeitada, eu fico mesmo magoada. Por vezes reajo mal a alguns comentários que podem até ser feitos levemente e “para o ar”, mas que no momento eu entendo serem dirigidos a mim. O meu pai sempre disse que eu não tenho humor. Não acho que seja bem isso. Penso que seja mais uma questão de interpretação. Admito que o meu diálogo interior é bastante negativo, então qualquer coisinha que não esteja bem explicita ou possa dar azo a outra interpretação que não a positiva, eu não consigo evitar. Por vezes o homem que chegou e atirou com as chaves do hotel para cima do balcão e foi-se embora sem dizer nada, acabou de receber os papéis do divórcio. Talvez a amiga que não disse nada a semana inteira esteja a entrar em depressão. Quem sabe a empregada de mesa não respondeu à minha “Boa tarde” porque teve um cliente anterior difícil e ficou acanhada. Nunca se sabe realmente a motivação das pessoas. Tudo o que podemos fazer é escolher como reagimos e partir daí. 

  1. Fazer da dor traço de personalidade.

Ficariam surpreendidos com a facilidade com que uma pessoa se refugia na dor e a usa como escudo entre ela e o mundo exterior. Pelo menos foi isso que eu há pouco tempo me apercebi que fazia. Quando tinha 11 anos o meu irmão do meio teve um acidente de mota e morreu. Desde aí que passei a transportar comigo uma dor e culpa enormes, presentes em toda e qualquer interação minha. Eu não conseguia e não consigo perceber, como é que alguém tão jovem (21 anos) e tão cheio de potencial tinha morrido assim, enquanto cá ficaram tantas outras pessoas cujas vidas teriam menos valor, a minha incluída. Claro que não se comparam vidas e todas têm valor, mas a dor fazia distorcer a minha visão do mundo. Com tudo isto a pesar-me nos ombros, eu fui deixando que as minhas más decisões ficassem sob a alçada do meu sofrimento emocional. Enquanto que por um lado eu achava que o meu irmão quereria que eu aproveitasse a vida ao máximo por ele, ao mesmo tempo eu ficava presa na ideia de que se ele morreu, nada faz sentido e se nada faz sentido, muito menos aquilo que eu fizer. Então encontrava-me com frequência por maus caminhos, simplesmente porque aquilo que aconteceu ao meu irmão não devia ter acontecido. No fundo, deixei-me definir pela dor que transportava. Em vez disso me dar força, era a pedra no meu sapato. Não tem de ser assim. Devemos tomar estes acontecimentos como avisos de que a vida é curta e que em vez de a desperdiçar dando poder à negatividade, podemos agarrar a oportunidade que outros não tiveram. 

  1. Depender dos outros para tomar decisões.

Eu gosto de pensar em mim própria como uma pessoa independente, mas a verdade é que sempre me apoiei nos outros. Em pequena foi nos meus pais, mais crescida foi nos meus irmãos, depois em adolescente foi nos meus amigos e por fim em adulta no meu namorado. No momento de tomar uma decisão, eu sempre hesitei e ao mesmo tempo desconfiei do meu juízo das coisas, então prosseguia a partilhar o impasse com os demais. Assim que alguém me dava a sua opinião eu seguia com ela sem ponderar. Se corresse bem, boa, se corresse mal, a culpa não seria minha. Seria da pessoa a quem tinha dado o poder de decisão. Isto poderia continuar indefinidamente, mas teria efeitos muito nefastos tanto para mim como para os outros que se veriam obrigados a opinar. A minha vida é minha e a tua vida é tua, cada um de nós somos respetivamente responsáveis. Deslocar a responsabilidade de nós para os outros, é um ato de cobardia. É deixar a indecisão e o medo de fracasso vencer, despejando nos outros a nossa incapacidade. Hoje em dia eu estou consciente disto e faço um esforço para que tal não aconteça. Além disso, ver os resultados das nossas decisões, ainda que negativos, ajuda a crescer mentalmente e a aprender com as nossas vivências. 

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