Qualquer relacionamento amoroso tem as suas fases boas e outras menos boas. A sua evolução ao longo do tempo não é linear e apresenta características diferentes de acordo com cada casal. O amor, fator essencial deste tipo de relação, também vai apresentando diferentes intensidades. O ideal é que revele crescimento desde o momento em que nasce no nosso coração, permanencendo em quantidade connosco, até mesmo para na eventualidade que algo aconteça, ele não morra ao primeiro impacto.
Na minha opinião o amor é construído e trabalhado. Eu não acredito no amor à primeira vista. Acho que é impossível nutrir um sentimento tão complexo baseado apenas no superficial da pessoa. Para mim, o que a maioria das pessoas designa como “amor à primeira vista”, é apenas luxúria. Ou seja, nasce de algo que não tem bases para o seu sustento e que vem da idealização da pessoa que vemos, não do que ela realmente é. Conhecer alguém é um processo moroso e contínuo, acabando muitas vezes precisamente por contradizer as observações iniciais que tínhamos da pessoa. Dito isto, não quero dizer que não haja uma primeira impressão. Essa existe sim e é muitas vezes o filtro pelo qual olhamos para a pessoa dali em diante. Mas mais uma vez, pode revelar-se errada e diz na verdade pouco sobre a pessoa; diz mais sobre nós e a maneira como projetamos certas ideias ou preconceitos nos outros.
Como referi, o amor é uma construção – requer uma atenção constante e detalhada para com a outra pessoa. Mais do que saber a sua cor favorita ou qual a escola em que andou, é procurar saber o que significa um silêncio, o que significa um olhar ou o que significa um gesto dessa pessoa. Procurar também compreender a sua linguagem do amor: se valoriza mais tempo de qualidade juntos, ou gestos atenciosos ou palavras de afirmação, etc. Nós podemos ter muito amor para dar a alguém, mas temos de saber dá-lo na medida em que a pessoa o consegue receber. O meu parceiro pode querer mostrar que me ama ao comprar-me uma pulseira, no entanto, eu posso apreciar muito mais um bilhete escrito por ele que demonstre os seus sentimentos. Não é para dizer que ficaria triste com uma pulseira, mas para mim teria muito mais significado algo feito por ele, porque valorizo mais isso.
Eu tenho sorte em ter como exemplo o amor entre os meus pais. Vejo neles que é possível ser feliz para sempre com alguém. A longevidade do amor é possível e isto é um facto que muitas vezes escapa das nossas mentes. Num mundo de gratificação tão imediata, se algo não corre bem com o nosso parceiro, somos influenciados a desistir. Se batermos com o carro e partirmos o pára-choques, o quê que fazemos? Mandamos arranjar, lógico. Não vamos e compramos um carro novinho em folha só porque tivemos esse dano. Então porquê que nos relacionamentos amorosos, assim que algo não corre bem, há a tendência de deitar tudo fora? Temos mais paciência com bens materiais do que com o amor? É que começar de novo com outra pessoa é igualmente custoso como comprar um carro novo. Claro que nem tudo consegue ser resolvido. No entanto tem de haver vontade e abertura para que hajam cedências e compromissos. Se eu quisesse continuar com a vida que levava antes de conhecer o meu namorado, não estaria com ele. Eu mudei aspetos da minha vida para e por ele. Sim, porque muita gente fala que daria a vida pelo seu parceiro…mas estariam dispostos a melhorar por essa pessoa? Dispostos a ter conversas difíceis, a acabar com vícios, a equilibrar a vida ou a melhorar em aspetos que beneficiem os dois? A pessoa não tem de se reinventar para ser amada, mas deve trabalhar todos os dias para melhorar, primeiro por si própria, e depois pela pessoa com quem está. E para isso acontecer, por vezes é preciso que o nosso parceiro nos aponte uma lanterna na escuridão e diga “vem, o caminho é por aqui”. Eu sinto que o meu namorado fez isso por mim. Não para me dizer o que fazer, mas para me ajudar a encontrar um caminho que já era meu, que eu estava demasiado perdida para ver.
