Atualmente, de um modo geral, cada um de nós escolhe o seu parceiro de vida. Podemos até iniciar uma relação por desejo, inclinação ou outro fator qualquer, mas a decisão de ficar é nossa. Estou a referir isto para que possamos partir do pressuposto de que estamos de livre vontade na relação em que estamos. E, tendo isso como ponto de partida, é natural que queiramos desde o início dar o nosso melhor para o bem da relação. Assumir alguém, mesmo sem pedido de casamento ou outra formalidade, é prometer fazer todos os dias uma escolha – a de colocar o nosso parceiro em primeiro lugar. Todos nós nascemos para o seio de uma família, não a conseguimos escolher. Temos depois a oportunidade de, quando adultos, fazer então a escolha de quem vamos querer ao nosso lado e de com quem poderemos eventualmente criar uma família. É essa escolha inicial que vai despoletar todas as outras escolhas consequentes, que no seu todo vão constituir o tecido com o qual tecemos a relação.
Há quem diga que a escolha do nosso parceiro revela muito sobre nós. Segundo alguns, poderá refletir os nossos valores, padrões a que já estamos habituados ou mesmo necessidades afetivas. Na minha opinião, isso é mais do que óbvio: a seleção do nosso companheiro vai de encontro às nossas carências (conscientes e inconscientes), preferências e até aspirações. Idealmente, o parceiro que escolhemos é um complemento da nossa vida, uma adição ao que já temos. Vai acrescentar algo de bom e desafiar-nos a sermos melhores. Atenção que desafiar não é o mesmo que impor alguma mudança por capricho. É conhecer a pessoa e saber quais dos seus objetivos ela não está a alcançar e puxar por isso. Por exemplo, se eu quero emagrecer e o meu parceiro sabe disso, pode sugerir outras escolhas alimentares quando eu não o faço. Se eu sei que o meu parceiro quer poupar dinheiro, posso também relembrar isso quando é preciso. É tudo acerca de preocupação um com o outro.
Eu diria que a escolha da pessoa que temos ao nosso lado é até de extrema importância. Pode ser que seja o primeiro e último apoiante na nossa ambição, e que isso seja suficiente para alcançarmos o que queremos. Pode ser que seja a pessoa com a qual vamos construir não só uma família, mas também um negócio, crescendo juntos a todos os níveis. Pode, em casos extremos, ser até a diferença entre a vida e a morte, situação que aconteceu com os meus pais. Num dia de verão o meu pai estava a lavar as portadas do piso superior da casa. No que foi uma questão de segundos, caiu do escadote e bateu com a cabeça no chão. A minha mãe que estava lá a ajudar, assim que viu o que aconteceu foi a correr para o meu pai e viu que ele estava a perder bastante sangue. Ligou imediatamente para a ambulância vir socorrer. Só que nisto passaram-se se minutos e o meu pai continuava a perder sangue. A minha mãe começou a aperceber-se que se não fizesse nada, o meu pai iria acabar muito mal. Então, quando o meu pai recuperou a consciência, a minha mãe embrulhou uma toalha à volta da cabeça dele e meteu o na carrinha. Foi o mais depressa que conseguiu ir para o hospital mais próximo e assim que chegaram o meu pai foi logo atendido. No final, acabou tudo bem. Estou a contar esta história do que se passou, porque este é um exemplo da importância da escolha certa da pessoa que nos vai acompanhar para a vida. Naquele momento em que o meu pai caiu, a minha mãe tinha 2 escolhas: ficar ali à espera e ver o meu pai a esvair-se em sangue; ou tomar ação e tentar salvá-lo. Eu acredito que se a minha mãe não tivesse feito o que fez, o meu pai não estaria aqui. Foi ela que o salvou. Ela teve a coragem e impulso de o levar para o hospital, e isso fez toda a diferença.
Não estou a dizer que temos de ter ao nosso lado a pessoa perfeita. A minha mãe não é perfeita. Mas pelo menos alguém com valores assentes, prioridades na vida e com princípios. Alguém com quem possamos contar para tudo. Alguém a quem poderíamos confiar a nossa vida.
