Segundas oportunidades

Toda a gente comete erros e ninguém sabe bem o que anda aqui a fazer. Estamos todos a experienciar a vida pela primeira vez. Acho que muitas vezes nos esquecemos disso, seja no relacionamento com os outros, seja connosco próprios. Nascemos em branco. Um ser humano que se virá (esperançosamente) a desenvolver até ao seu pico e depois disso começamos a desbotar como a tinta da caneta num papel antigo. 

Se estamos todos aqui pela primeira vez, porquê que é tão difícil perdoar? Claro que depende do caso e da situação, mas muitas vezes, temos dificuldade em dar o braço a torcer, a engolir o orgulho ou a mostrar compreensão. Temos dificuldade em dar segundas oportunidades. 

Eu não me importo de me meter na mira, quando digo que eu tenho essa dificuldade. Tem acontecido na minha vida que às vezes as pessoas se comportam de formas que eu não entendo. Não importa o quanto tente ver as coisas da sua posição, eu não consigo chegar à mesma conclusão. Quando os valores, morais e princípios não coincidem, isso é muito provável que aconteça. Mas mesmo assim, se houver comunicação, é bem mais plausível que se chegue pelo menos a acordo sobre o desacordo. 

Uma área em que é vital serem dadas segundas oportunidades é nos relacionamentos amorosos. E não digo só fazer isso quando é algo muito grave ou motivo para terminar. Digo isso nas pequenas coisas. Se eu falar mal ao meu namorado, sem razão, por estar cansada e sobrecarregada, eu no fundo quero que ele me dê a oportunidade de me corrigir, de me dirigir melhor a ele e de me acalmar. Se ele tiver alguma atitude que eu também não compreenda, eu, no mínimo, devo dar-lhe espaço para que se possa expressar. O maior factor que pode contribuir para um mal entendido é no fundo a falta de comunicação ou, lá está, a dificuldade em dar a segunda oportunidade. Mas quando não estamos a conseguir, temos de nos perguntar: esta pessoa é importante para mim? A minha dificuldade prende-se comigo próprio ou com aquilo que estou a processar do outro? O que realmente tenho a perder se não falar? E o que tenho a ganhar se der ao outro a oportunidade?

Recentemente eu tive uma prova de que aquilo que é amor verdadeiro acaba por vencer. Apesar de ter sido por meio de circunstâncias infelizes, eu e o meu namorado, que tínhamos terminado uns meses antes, voltamos. Ao estar de novo com ele, falando um pouco do que foram anteriormente os problemas e percebendo que o amor que tínhamos um pelo outro persiste, eu sinto-me atualmente completamente certa daquilo que sinto por ele, do que ele sente por mim, e do nosso futuro juntos. Os problemas não se evaporam de repente, óbvio que não, mas estão a ser pensadas soluções e há vontade das duas partes em melhorar. Eu sou por natureza uma pessoa ansiosa e insegura. Não tenho dúvida alguma de que no futuro me irão surgir as mesmas velhas dúvidas de sempre. Mas o truque é reconhecer o padrão e quebrá-lo antes que se apodere do raciocínio. Ele deu-me uma segunda oportunidade, assim como eu lhe dei a ele. Meto as minhas mãos em fogo, como será com ele que passarei o resto da vida. E, sinceramente, não consigo imaginar uma fortuna maior. 

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